“Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças,…” (Eclesiastes 9: 10). Aos quatorze anos entrei no meu primeiro emprego, um posto de gasolina. Minha função era “Bombril – mil e uma utilidades!”. Limpava, pintava, fazia o jardim, atendia, pagava contas, fazia compras, fechava o caixa, etc. Meus colegas de escola trabalhavam em ambientes melhores, mais limpos, como escritórios, bancos, etc. Freqüentemente entrava em crise, pois não gostava do serviço e não queria trabalhar lá. Minha mãe me incentivava dizendo que esse era apenas um começo e que depois eu arranjaria coisa melhor. E naquela mesma época li este ditado em algum lugar: “O segredo da felicidade não é fazer o que você gosta, mas gostar daquilo que você faz”. Resolvi praticar para ver se daria certo. Passei a tentar gostar do que fazia, exercendo sempre minha função da melhor maneira possível e com todo o capricho. Essa prática passou a me acompanhar nos anos seguintes, em todos os lugares por onde passei; e até hoje a tenho como regra em minha vida. Mesmo não gostando, tento fazer tudo o que me vem à mão para fazer e da melhor maneira possível. Existem muitas pessoas que estão travadas no curso da sua vida, não alcançaram os seus sonhos e não se sentem realizadas. Elas estão esperando que as coisas aconteçam. Reclamam do que fazem, são relaxadas e medíocres. Não plantam, por isso não colhem. Elas não avançam porque quebram o seguinte princípio: “Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei…” (Mateus 25:23). Vivemos no tempo das “especializações”. As pessoas não querem mais fazer “qualquer serviço”. Argumentam que não é sua formação, que não têm talento, que não gostam, ou até que não foram contratadas para exercer tal função… Mas têm também os que não gostam de trabalhar. Usam a desculpa de que não têm condições físicas. Vivem em busca de meios para conseguirem se “encostar” ou se aposentar por invalidez junto à previdência social. Chegam a assinar atestado de miséria para receberem benefícios sociais e moverem causas judiciais! São subservientes a alguns programas sociais que só estimulam a preguiça e a dependência parasitária do poder público. Muitos ainda se comportam como “espertinhos”, pois trabalham por um período e depois usam artifícios para conseguirem a demissão e gozarem longas férias usufruindo do seguro desemprego! O evangelho transforma a partir do caráter. Infelizmente muitas pessoas fazem parte da comunidade cristã, mas ainda não experimentaram o poder do evangelho. Não abandonaram o velho padrão de pensamento, muito menos de comportamento. Elas continuam encarando a vida na perspectiva da mediocridade. São acomodadas, e querem apenas receber, achando que os irmãos têm a obrigação de sustentá-las com cestas básicas, assistência médica, o pagamento da conta de luz, etc. Na convivência querem ouvir e fazer apenas o que gostam. Ao serem desafiadas a algum treinamento, como, por exemplo, a Escola de Líderes, a primeira pergunta é sobre a média e a porcentagem de freqüência. A palavra “mediocridade” vem da palavra “média”; então, medíocre é aquele que se nivela sempre pela média, pelo padrão de atitude e comportamento da maioria. A renovação da mente é um imperativo de Deus: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento…” (Romanos 12:2). Sem mudança de mente não há transformação. Têm pessoas que se acomodaram a sua doença e a sua limitação. Elas se alimentam das próprias feridas! Na verdade não querem ser curadas. É por isso que Jesus, ao ser abordado, sempre perguntava: “O que queres que eu faça?”. O cego talvez quisesse apenas mais uma esmola; o aleijado um par de muletas novas,… e assim por diante. O conformismo, o comodismo e outros “ismos” impedem que as pessoas busquem a cura, pois, se forem curadas, não terão mais desculpas. O texto diz: “Tudo quanto te vier à mão para fazer…”. Não devemos escolher. Na Igreja muitos escolhem o que fazer argumentando que cada um deve exercer o seu dom. Geralmente, como nunca se envolvem, não descobrem os seus dons e se tornam especialistas em não fazer nada! Por trás da desculpa esfarrapada de que não têm o dom, em muitos casos está à frieza, a indiferença, o egoísmo, a preguiça, o comodismo… Já ouvi frases absurdas como: “Estou saindo desta igreja porque aqui não tem ministério para mim”. É claro que este não é o verdadeiro motivo, pois a missão da Igreja de Cristo em todos os seus segmentos é conquistar o mundo todo para Jesus; e ainda tem muito trabalho a ser feito! Em nenhum lugar na Bíblia encontramos a instrução de que devemos fazer somente o que se encaixa com nossos dons. Os dons são capacitações sobrenaturais dadas pelo Espírito Santo para servirmos uns aos outros e edificar a Igreja. Só descobre seus dons aquele que se lança à experiência de servir em tudo o que se faz necessário. Sendo que, ao recebermos um dom espiritual, somos capacitados para exercer de forma muito mais eficaz num determinado ministério. Mas isso não é motivo para fazermos de qualquer jeito, ou não fazermos, o que não é nossa “especialidade”. O texto diz: “… Faze-o conforme as tuas forças,…”. Isto é, o melhor, com excelência, concentrando toda a atenção, recursos e energia. Deus é excelente em tudo o que faz. Quem é nascido de Deus tem a essência do Seu caráter, por isso é incoerente que seja relaxado naquilo que faz. Neste Ano da Excelência, faça o melhor para Deus, e firme essa prática como estilo de vida. Dê o melhor do seu tempo, bens, recursos, talentos, inteligência, etc. Você tem a grande oportunidade de crescer servindo em sua célula, a família espiritual que Deus lhe deu. Ali está o corpo de Cristo, e você não é um espectador, mas um membro indispensável desse organismo vivo que se move sobre a terra para alcançar as pessoas e levá-las a uma transformação. Célula não é uma reunião, mas uma família, uma comunidade, que se relaciona em comunhão sete dias por semana. É um estilo de vida, e não mais um programa da igreja. Renuncie o “dom” de ser servido! Renuncie esse engano de fazer só o que gosta e quando tem vontade; renuncie a mediocridade e a displicência; renuncie a preguiça, pois não existe falha de caráter mais repugnante do que essa. É tempo de excelência. Ela começa em você. Esse decreto não se tornará realidade por si só, nem por se repetir exaustivamente. Não! Ele se concretizará se (atente para o “se”) você decidir ser excelente em tudo o que fizer. Amém!
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É gratificante ler palavras tão bem intercaladas, a fim de alertar-nos dos perigos que simples atitudes podem desencadear. O mundo moderno prega a facilidade e o comodismo, sugerindo que viver bem, é viver sem se esforçar, dentro da comodidade, da zona de conforto. Não sabendo, que ao compactuarmos, nos tornamos meros expectadores, coadjuvantes de nossa própria existência. Obrigado.